Já todos sabemos que o processo de extinção da freguesia de
S. Julião teve contornos enevoados, para não dizer sombrios.
De outra forma não se compreende que a principal freguesia,
sede do concelho, tenha desaparecido.
A Lei dizia que as freguesias urbanas tinham de ser
reduzidas em 50%. Na altura, existiam duas, Tavarede e S. Julião.
Entretanto, foi feito o pedido de reclassificação da freguesia
de Tavarede como não urbana (porque será que esta freguesia se absteve na
votação da proposta do PSD e dos 100%, quando o PS votou contra?), para evitar
a sua agregação, que foi aceite.
A freguesia de Buarcos, não constava do Anexo II à lei
22/2012, de 30 de Maio, como lugar urbano, como tal reunia todas as condições
para não ser agregada a qualquer outra.
Assim, ao restar uma
única freguesia urbana pelo espírito da lei não tinha sentido a sua extinção. A
sua supressão só tem explicação por decisões tomadas em veniagas politicas
(todos, mas todos, os que participaram
nas reuniões prévias que levaram à elaboração da proposta de extinção).
Porém os interesses partidários e pessoais que pairaram
neste concelho, com acordos que visavam pensar só nos interesses dos dirigentes
de Tavarede, Lavos, S. Pedro, Alhadas, Ferreira-a-Nova, Alqueidão, Maiorca e
Quiaios (freguesias que votaram no sentido de viabilização da proposta de extinção),
e de Buarcos (que apesar de ter votado contra, foi agregar uma freguesia maior
e, ainda por cima, manteve o nome) foram mais fortes.
Também a falta oportuna dum deputado do PS e outro do BE, ajudaram
os negócios não democráticos (como a anexação de parcelas de outras freguesias,
isto é, não só foram delimitadas as
freguesias agregadas como também se aproveitou para delimitar outras que não
foram sujeitas a qualquer alteração como o caso de Lavos e Vila Verde). Se tivessem votado e o sentido de voto de Tavarede fosse o do seu Partido o resultado tinha sido outro.
Como não estiveram em causa os interesses gerais do concelho
ou da cidade levaram à consumação do acordo, que visou a morte da principal
freguesia do concelho e a anexação de territórios que só o deveriam ser se a
via judicial assim o determinasse. Mau contributo à democracia.
Hoje, para mal dos nossos pecados, podemos afirmar que temos
um concelho que não tem freguesia urbana, somos o segundo concelho do distrito,
um concelho industrial e turístico e só com freguesias rurais. Um absurdo que
teve a conivência de responsáveis políticos que utilizaram esta lei para
fazerem chantagem para imporem os seus interesses à frente dos interesses dos
seus próprios partidos e do concelho.
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