quinta-feira, 12 de setembro de 2013



Já todos sabemos que o processo de extinção da freguesia de S. Julião teve contornos enevoados, para não dizer sombrios.

De outra forma não se compreende que a principal freguesia, sede do concelho, tenha desaparecido.
A Lei dizia que as freguesias urbanas tinham de ser reduzidas em 50%. Na altura, existiam duas, Tavarede e S. Julião.

Entretanto, foi feito o pedido de reclassificação da freguesia de Tavarede como não urbana (porque será que esta freguesia se absteve na votação da proposta do PSD e dos 100%, quando o PS votou contra?), para evitar a sua agregação, que foi aceite.

A freguesia de Buarcos, não constava do Anexo II à lei 22/2012, de 30 de Maio, como lugar urbano, como tal reunia todas as condições para não ser agregada a qualquer outra.

Assim, ao restar uma única freguesia urbana pelo espírito da lei não tinha sentido a sua extinção. A sua supressão só tem explicação por decisões tomadas em veniagas politicas (todos, mas todos,  os que participaram nas reuniões prévias que levaram à elaboração da proposta de extinção).

Porém os interesses partidários e pessoais que pairaram neste concelho, com acordos que visavam pensar só nos interesses dos dirigentes de Tavarede, Lavos,  S. Pedro, Alhadas, Ferreira-a-Nova, Alqueidão, Maiorca e Quiaios (freguesias que votaram no sentido de viabilização da proposta de extinção), e de Buarcos (que apesar de ter votado contra, foi agregar uma freguesia maior e, ainda por cima, manteve o nome) foram mais fortes.

Também a falta oportuna dum deputado do PS e outro do BE, ajudaram os negócios não democráticos (como a anexação de parcelas de outras freguesias, isto é,  não só foram delimitadas as freguesias agregadas como também se aproveitou para delimitar outras que não foram sujeitas a qualquer alteração como o caso de Lavos e Vila Verde). Se tivessem votado e o sentido de voto de Tavarede fosse o do seu Partido o resultado tinha sido outro.

Como não estiveram em causa os interesses gerais do concelho ou da cidade levaram à consumação do acordo, que visou a morte da principal freguesia do concelho e a anexação de territórios que só o deveriam ser se a via judicial assim o determinasse. Mau contributo à democracia.

Hoje, para mal dos nossos pecados, podemos afirmar que temos um concelho que não tem freguesia urbana, somos o segundo concelho do distrito, um concelho industrial e turístico e só com freguesias rurais. Um absurdo que teve a conivência de responsáveis políticos que utilizaram esta lei para fazerem chantagem para imporem os seus interesses à frente dos interesses dos seus próprios partidos e do concelho.

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